Porque é que a qualidade do ar comprimido é importante

O ar comprimido é utilizado numa grande variedade de indústrias, da indústria da alimentação e bebidas às indústrias farmacêutica, elétrica e automóvel. Contaminantes como vapor de água, óleo e partículas podem comprometer a qualidade do produto, danificar o equipamento e, inclusive, representar riscos de segurança. A má qualidade do ar pode provocar paragens imprevistas, o aumento dos custos de manutenção e recolhas de produtos em indústrias regulamentadas.

Por exemplo, numa unidade de processamento alimentar, a presença de óleo ou humidade na linha de ar pode contaminar as embalagens ou os ingredientes, resultando em riscos para a saúde e violações das normas regulamentares. Este exemplo destaca a importância de adaptar o tratamento do ar às necessidades específicas de cada aplicação.

Considerações adicionais:

  • Eficiência energética: Os sistemas de ar comprimido contaminados necessitam frequentemente de mais energia para funcionar, devido às quedas de pressão e ao desgaste do equipamento. Manter o ar limpo e seco reduz o consumo energético e os custos operacionais.
  • Impacto ambiental: Uma gestão adequada de condensados e a remoção de óleo evitam a contaminação ambiental, ajudando as empresas a atingirem os seus objetivos de sustentabilidade.
  • Segurança: O ar contaminado pode causar o mau funcionamento de ferramentas pneumáticas ou atuadores, levando a situações potencialmente perigosas.

Compreender a ISO 8573 e as classes de pureza

A norma internacional ISO 8573 fornece uma estrutura abrangente para a medição e classificação de contaminantes do ar comprimido. A norma divide a qualidade do ar em três categorias principais:

  • Partículas - Partículas sólidas como poeira, ferrugem e crostas de oxidação.
  • Água - Presente como vapor, líquido ou aerossol.
  • Óleo - Incluindo óleo líquido, aerossóis de óleo e vapor de óleo.

A cada categoria é atribuída uma classe, sendo a Classe 1 a de maior qualidade. Por exemplo, a norma ISO 8573-1:2010 é a parte da norma mais referenciada, especificando as classes de pureza para o ar comprimido. Uma classificação típica pode apresentar-se como ISO 8573-1:2010 [1:2:1], significando

  • Classe 1 para partículas,
  • Classe 2 para água, e
  • Classe 1 para óleo.

Exemplos específicos da indústria

Diferentes indústrias apresentam requisitos únicos para a qualidade do ar comprimido:

  • Alimentação e bebidas: Nas linhas de enchimento, o ar comprimido é utilizado para a moldagem por sopro de garrafas de plástico e para a limpeza de embalagens. A classe ISO 1-2-1 é frequentemente exigida para evitar a contaminação dos consumíveis.
  • Indústria farmacêutica: No fabrico de comprimidos, o ar comprimido transporta pós e alimenta os equipamentos de salas limpas. O ar ultralimpo (Classe ISO 1-1-1) é essencial para prevenir a contaminação cruzada.
  • Semicondutores: O fabrico de microchips requer ar extremamente seco e isento de óleo para evitar defeitos microscópicos. Normalmente, é obrigatória a Classe ISO 1-1-1 ou superior.
  • Dispositivos médicos: O ar comprimido utilizado em instrumentos cirúrgicos ou esterilização deve cumprir normas de higiene rigorosas, frequentemente a Classe ISO 1-2-1 ou superior.
  • Indústria automóvel: As cabines de pintura exigem ar seco e isento de óleo para garantir um acabamento impecável. A Classe ISO 2-2-2 é a mais utilizada.
  • Indústria de embalagens: Os sistemas pneumáticos em linhas de embalagem requerem ar limpo e seco para evitar encravamentos e garantir um desempenho consistente.
  • Energias renováveis: O fabrico de pás de turbinas eólicas e a produção de painéis solares requerem ar comprimido de alta qualidade para garantir componentes sem defeitos.
  • Fabrico aditivo (impressão 3D): Requer ar ultralimpo e seco para evitar contaminações e garantir a qualidade de impressão.

Estudo de caso: A Festo e a TNO

A Festo colaborou com a TNO no Laboratório Van Leeuwenhoek para melhorar a qualidade e a capacidade do ar comprimido. Após uma pré-auditoria, a Festo e a Royal HaskoningDHV projetaram um sistema de dois níveis em conformidade com a norma ISO 8573, fornecendo ar comprimido extremamente seco (Classe 2.1.1) para ensaios sensíveis e ar de qualidade standard (Classe 2.4.1) para outros fins. O resultado: maior fiabilidade, melhor eficiência e a otimização do consumo energético.

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Tecnologias e processos para alcançar a qualidade de ar necessária

Para alcançar a classe ISO 8573 pretendida, são utilizadas várias tecnologias de tratamento de ar de forma combinada. Estas tecnologias são normalmente instaladas em estágios para remover progressivamente os contaminantes.

Separação de água

A água é um dos contaminantes mais comuns e mais prejudiciais no ar comprimido. Pode causar corrosão, danificar ferramentas pneumáticas e afetar a qualidade do produto. As principais tecnologias incluem:

  • Separadores de ciclone de água: Utilizam a força centrífuga para remover água em volume do fluxo de ar; são geralmente instalados imediatamente após o compressor.
  • Secadores por refrigeração: Arrefecem o ar para condensar e remover o vapor de água; Ideais para aplicações gerais com requisitos de ponto de orvalho moderados.
  • Secadores por adsorção (dessecantes): Utilizam materiais higroscópicos para remover humidade e atingir pontos de orvalho muito baixos (até -70 °C ou inferiores). Essenciais para aplicações críticas, como são os casos da indústria farmacêutica e da eletrónica.
  • Secadores de membrana: Removem vapor de água por permeação seletiva. Compactos e adequados para secagem no ponto de utilização, em sistemas mais pequenos ou locais remotos.

Secadores de ar comprimido

Filtração de partículas

As partículas sólidas podem ter origem no ar ambiente, no compressor ou no próprio sistema de tubagens. Para as remover, recorre-se a:

  • Pré-filtros: Retêm partículas maiores e protegem os equipamentos a jusante.
  • Filtros de alta eficiência: Removem partículas finas até níveis submicrométricos, garantindo ar limpo para processos sensíveis.
  • Filtros HEPA: Para ambientes ultra limpos, como a indústria farmacêutica ou a produção de semicondutores, os filtros HEPA podem remover partículas até 0,3 μm ou menores.

Filtros de ar comprimido

Remoção de óleo

A contaminação por óleo pode ser proveniente de compressores lubrificados ou de fontes ambientais. Métodos de remoção incluem:

  • Filtros coalescentes: Retêm aerossóis de óleo e partículas finas.
  • Filtros de carvão ativado: Removem vapores de óleo e odores, frequentemente como etapa final de polimento.
  • Compressores sem óleo: Em aplicações que exigem a total ausência de óleo, eliminam o risco de contaminação por óleo.

Filtros de ar comprimido

Gestão de condensados

A água e o óleo recolhidos têm de ser descarregados em segurança:

  • Drenos de condensados automáticos: Removem líquidos acumulados em filtros e secadores sem intervenção manual.
  • Separadores de óleo/água: Asseguram a eliminação ambientalmente conforme, separando o óleo da água antes da eliminação.
  • Sistemas de monitorização: Sensores avançados e dispositivos com IoT permitem a monitorização em tempo real da qualidade dos condensados e do estado do sistema.

Dreno de condensados

Separação de água

A água é um dos contaminantes mais comuns e prejudiciais no ar comprimido. Pode causar corrosão, danificar ferramentas pneumáticas e comprometer a qualidade do produto. As principais tecnologias incluem:


  • Separadores ciclónicos: Utilizam a força centrífuga para remover a água do fluxo de ar; são normalmente instalados logo após o compressor.
  • Secadores por refrigeração: Arrefecem o ar para condensar e remover o vapor de água. Ideais para aplicações gerais com requisitos moderados de ponto de orvalho.
  • Secadores por absorção: Utilizam materiais higroscópicos para absorver a humidade, alcançando pontos de orvalho muito baixos (até -70 °C ou inferior). Essenciais para aplicações críticas, como produtos farmacêuticos e eletrónicos.
  • Secadores de membrana: Utilizam a permeação seletiva para remover o vapor de água. Compactos e adequados para a secagem no ponto de utilização em sistemas mais pequenos ou locais remotos.

Secadores de ar comprimido

Filtragem de partículas

As partículas sólidas podem ter origem no ar ambiente, no compressor ou no sistema de tubagens. Para removê-las:

  • Pré-filtros: Retêm partículas maiores e protegem os equipamentos a jusante.
  • Filtros altamente eficientes: Eliminam partículas finas até níveis submicrónicos, garantindo ar limpo para processos sensíveis.
  • Filtros HEPA: Em ambientes ultralimpos, como os da indústria farmacêutica ou da produção de semicondutores, podem ser utilizados filtros HEPA para remover partículas até 0,3 mícrones ou inferiores.

Filtros de ar comprimido

Remoção de óleo

A contaminação por óleo pode ser proveniente de compressores lubrificantes ou fontes ambientais. Os métodos de remoção incluem:

  • Filtros coalescentes: Retêm os aerossóis de óleo e as partículas finas.
  • Filtros de carvão ativado: Eliminam os vapores e odores a óleo, sendo frequentemente utilizados como uma etapa de polimento final.
  • Compressores isentos de óleo: Em aplicações que exigem zero contaminações por óleo, os compressores isentos de óleo eliminam o risco de entrada de óleo no sistema.

Filtros de ar comprimido

Gestão de condensados

A água e o óleo recolhidos devem ser eliminados de forma segura:

  • Drenos de condensados automáticos: Removem os líquidos acumulados dos filtros e dos secadores sem intervenção manual.
  • Separadores de óleo/água: Garantem a eliminação do condensado em conformidade com as normas ambientais, separando o óleo da água antes da descarga.
  • Sistemas de monitorização: Sensores avançados e dispositivos IoT podem fornecer monitorização em tempo real da qualidade do condensado e do estado do sistema.

Dreno de condensados

Erros comuns no tratamento de ar e como evitá-los

Mesmo com as melhores intenções, muitas fábricas e engenheiros de manutenção cometem erros evitáveis ao projetar ou manter os seus sistemas de tratamento de ar:

  • Subdimensionamento do equipamento: Escolher filtros ou secadores demasiado pequenos para o caudal resulta em quedas de pressão e fraco desempenho.
  • Negligência na manutenção: Filtros sujos e drenos entupidos reduzem a eficiência e podem levar à contaminação.
  • Colocação incorreta: Instalar secadores ou filtros demasiado longe do ponto de utilização pode permitir a recontaminação.
  • Ignorar as condições ambientais: Ambientes com elevada humidade ou poeira exigem soluções de tratamento de ar mais robustas.
  • Falta de testes regulares: Sem testes periódicos à qualidade do ar, os problemas de contaminação podem passar despercebidos até causarem falhas graves.

Evitar estas armadilhas começa com uma avaliação adequada ao sistema e com a monitorização regular da qualidade do ar.

Checklist de conformidade com a ISO 8573

1. Avaliação dos requisitos da aplicação

  • Identificar as necessidades de qualidade do ar específicas da indústria
  • Determinar a classe de pureza ISO 8573 (partículas, água, óleo)
  • Compreender a sensibilidade dos equipamentos e dos processos aos contaminantes

2. Avaliação do sistema de ar comprimido atual

  • Realizar testes de referência à qualidade do ar (partículas, ponto de orvalho, teor de óleo)
  • Analisar a capacidade dos equipamentos de filtragem e secagem existentes
  • Verificar a colocação dos componentes do tratamento de ar em relação ao ponto de utilização

3. Conceção e implementação de soluções de tratamento de ar

  • Selecionar separadores de condensado adequados (ciclónicos, por refrigeração, por adsorção, de membrana)
  • Escolher filtros de partículas adequados (pré-filtros e filtros altamente eficientes)
  • Incorporar sistemas de remoção de óleo (filtros coalescentes, filtros de carvão ativado)
  • Instalar drenos de condensados automáticos e separadores de óleo/água
  • Considerar a utilização de compressores isentos de óleo, sempre que possível

4. Manutenção e monitorização

  • Agendar substituições regulares de filtros e dessecantes
  • Limpar e inspecionar periodicamente os drenos de condensados
  • Monitorizar as quedas de pressão nos filtros e secadores
  • Realizar testes periódicos à qualidade do ar segundo o nível de risco de cada aplicação
  • Formar a equipa em melhores práticas na operação e manutenção do sistema

5. Documentação e melhoria contínua

  • Manter registos detalhados das atividades de manutenção e dos resultados dos testes
  • Registar todas as alterações ou melhorias do sistema
  • Analisar regularmente o desempenho do sistema e ajustar conforme necessário
  • Manter-se atualizado em relação às normas da indústria e às tecnologias emergentes

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FAQ sobre ISO 8573 e qualidade do ar comprimido

O que é a ISO 8573 e qual a sua importância?

A ISO 8573 é uma norma internacional que define as classes de qualidade do ar comprimido com base na concentração de contaminantes, como partículas, água e óleo. É importante porque ajuda as indústrias a garantir que o ar comprimido cumpre os requisitos de segurança, eficiência e qualidade do produto.

Como determinar qual a classe ISO 8573 necessária para a minha aplicação?

A classe ISO 8573 necessária depende da sua indústria e das necessidades específicas da aplicação. Por exemplo, as indústrias farmacêutica e de semicondutores necessitam frequentemente de ar de Classe 1 (ultralimpo), enquanto as cabines de pintura automóvel podem exigir a Classe 2. Avaliar a sensibilidade do seu processo e consultar as diretrizes da indústria irá ajudar a determinar a classe correta.

Quais são os principais contaminantes abrangidos pela ISO 8573?

A norma aborda três categorias principais de contaminantes: partículas sólidas (poeira, ferrugem), água (vapor, gotículas) e óleo (óleo líquido, aerossóis, vapor).

Que tecnologias são habitualmente utilizadas para alcançar as classes 8573 de qualidade do ar?

As tecnologias comuns incluem separadores ciclónicos, secadores por refrigeração e adsorção, pré-filtros de partículas e filtros altamente eficientes, filtros coalescentes e de carvão ativado para a remoção de óleo, bem como drenos de condensados e separadores óleo/água para a gestão de condensados.

Com que frequência a qualidade do ar comprimido deve ser testada?

A frequência dos testes regulares depende da criticalidade da aplicação, mas varia, normalmente, entre o regime trimestral e o anual. Processos ou indústrias de alto risco podem exigir testes mais frequentes para garantir a conformidade contínua.

Quais são os riscos associados à má qualidade do ar comprimido?

A má qualidade do ar pode causar danos nos equipamentos, contaminações nos produtos, aumentos nos tempos de inatividade e nos custos de manutenção e riscos de segurança. Em indústrias regulamentadas, também pode levar ao incumprimento das normas e a recolhas de produtos dispendiosas.

Os compressores isentos de óleo podem eliminar a necessidade de filtros de remoção de óleo?

Os compressores isentos de óleo reduzem significativamente o risco de contaminação por óleo, mas podem não eliminá-lo totalmente devido à contaminação do ambiente ou da tubagem. Ainda assim, recomenda-se a utilização de um sistema de tratamento de ar completo para aplicações críticas.

Quais são as práticas de manutenção que ajudam a manter a qualidade do ar comprimido?

A substituição regular de filtros e dessecantes, a limpeza ou substituição de drenos de condensado, a monitorização de quedas de pressão e a realização de testes periódicos à qualidade do ar são práticas de manutenção essenciais.

Como posso evitar erros comuns no tratamento do ar comprimido?

Evite o subdimensionamento do equipamento, garanta a colocação correta dos componentes de tratamento de ar perto do ponto de utilização, realize manutenções regulares e considere as condições ambientais, como a humidade e o pó, ao conceber o seu sistema.

Existem tendências emergentes na gestão da qualidade do ar comprimido?

Sim, são tendências fundamentais a integração de sensores com capacidade IoT para a monitorização da qualidade do ar em tempo real, a manutenção preditiva por meio da análise de dados e a crescente adoção de tecnologias de tratamento de ar energeticamente eficientes e ecológicas.