Avarias em sistemas hidráulicos

6 passos para solucionar avarias em sistemas hidráulicos

Prevenir avarias nos sistemas hidráulicos evitará paragens inesperadas e reparações que custem tempo e dinheiro. Uma boa manutenção das máquinas é fundamental para manter o ritmo da produtividade e garantir o bom funcionamento da nossa fábrica. Mas, às vezes, as avarias são inevitáveis.

Jordi Pérez, consultor e formador da Festo Espanha, explicou no webinar intitulado Manutenção preventiva em sistemas hidráulicos (conferência online em espanhol) quais são as tarefas básicas para conservar em bom estado os circuitos e conduziu os espectadores através de seis passos para enfrentar uma avaria.

Os três elementos aos quais devemos prestar atenção para exercer um bom trabalho de manutenção são o tanque, a bomba e o próprio fluido hidráulico. O tanque é o pulmão de um fluido hidráulico, e a partir dele, a bomba impulsiona o fluido, que percorre todo o circuito antes de retornar ao ponto de partida. Para assegurar que o tanque se conserva em bom estado, Pérez destaca a importância de comprovar de forma regular o estado da tampa de enchimento. Trata-se de uma tampa respiradora que permite a entrada e saída de ar para equilibrar a pressão. O simples fato de comprovar que não permitiu a entrada e a acumulação de sujidade pode evitar uma avaria.

Os níveis máximo e mínimo do óleo no tanque devem ser respeitados. Apesar do consultor da Festo aconselhar a manutenção do nível máximo nos 80%, nunca se deve superar nenhum dos dois indicadores. A temperatura é outro dado a ter em conta, não só no tanque, mas em todo o circuito, por ser determinante sobre a viscosidade e, por isso, o comportamento do fluido hidráulico. Apesar dos tanques estarem normalmente equipados com um termostato, é recomendável ter visibilidade do termómetro que indica a temperatura do óleo, o que nos dará um valor orientador do que ocorre em todo o sistema. Os cartuchos filtrantes são outro ponto essencial para uma boa manutenção, especialmente dos que se encontram no tanque. Uma inspeção exterior do continente permitir-nos-á detetar pequenas fugas ou indícios de corrosão.

O segundo ponto essencial para uma boa conservação dos circuitos hidráulicos é a bomba. Neste sentido, devemos prestar especial atenção nos golpes de aríete, ou seja, os picos de pressão produzidos quando ocorrem paragens abruptas. Instalar um antirretorno na mesma linha de pressão de saída é a solução que Pérez propõe para os golpes de aríete. Também é importante comprovar o funcionamento correto do sistema de ventilação, se existente, para reduzir o consumo de energia e o aquecimento do sistema. Comprovar que não existem resíduos sólidos no óleo hidráulico garantirá uma vida mais longa às bombas.

Precisamente, a contaminação do fluido é outro ponto chave das tarefas de manutenção preventiva dos sistemas hidráulicos. Podemos encontrar-nos, como explica Jordi Pérez no webinar, na presença de partículas estranhas, finas e grossas, em forma de areia de sílica, compostos elastoméricos e resíduos metálicos, que provoquem desgaste e até avarias contínuas. A contaminação pelo ar pode ser produzida por aeração ou cavitação, sendo esta última mais prejudicial para o sistema. Outras formas de contaminação do óleo a vigiar são a água dissolvida, os resíduos de metal, os lodos e os vernizes.

Resolver uma avaria em 6 passos

Os problemas que podemos encontrar num sistema hidráulico podem ser de três tipos. Relativamente aos propriamente hidráulicos, uma avaria pode ser provocada pelo mau estado da bomba, atuadores desgastados ou o bloqueio das válvulas, que não lhes permita a abertura ou fecho total. Mas as falhas também podem ser elétricas, por erros no grupo hidráulico, nas linhas de fornecimento ou nas fontes de alimentação; e eletrónicos, quando há problemas com os sensores de campo, os automatismos ou PLCs e as electroválvulas.

1. Conhecer as ferramentas de diagnóstico e saber de quais dispomos. Um caudalímetro mecânico, um conjunto de manómetros, uma tomada manométrica, um multímetro ou uma pistola termográfica são algumas das ferramentas que nos podem ajudar a identificar o problema.

2. Recolher informação. Conversar com os operários e técnicos para estarmos informados sobre possíveis ruídos suspeitos ou consultar os históricos para encontrar anomalias, facilitar-nos-á o trabalho.

3. Consultar esquemas. Neste ponto, o mais importante para os esquemas elétricos e para os hidráulicos, é que estejam atualizados. Isto irá ajudar-nos a evitar elementos surpresa. Há que ter em conta que muitas máquinas contam com um sistema de autodiagnóstico, que nos pode orientar.

4. Estabelecer relações causa/efeito. Investigar o que pode ter provocado cada uma das falhas, permitir-nos-á começar a organizar a reposição de materiais e adiantarmo-nos para os passos finais.

5. Antes de substituir as peças avariadas, é importante desligar as fontes de energia e aplicar um método de atribuição adequado para cada caso (LOTO).

6. Arranque. O último passo requer cuidados especiais ao voltar a pressurizar a maquinaria. Para comprovar que a avaria está solucionada e prevenir outras futuras, é recomendável monitorizar os dados como temperaturas, pressão e tempos de ciclo.

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